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julho 21, 2005
E assim vai Portugal
Vivemos uma crise orçamental. Grave. Muito grave. Ainda em circuitos fechados, há já bastantes anos, Sérgio Rebelo alertou para a situação em que vivíamos. Pouco conhecido em Portugal, Sérgio Rebelo é o (macro)economista português mais reputado do mundo. Lembro-me de ter comparado a situação de Portugal à da Argentina.
Em Portugal a primeira pessoa a alertar veementemente para este problema foi Manuela Ferreira Leite. A mal amada do governo de Durão, que fez com que o Sampaio partisse em busca de vida para além do défice. Durão Barroso fugiu e teve medo de entregar o país e o partido àquela mulher, que garantiria a derrota nas eleições seguintes.
Depois de um momento circense, lá foi eleito um novo governo. Nesse governo Campos e Cunha era o guardião da credibilidade. O único governante que percebia verdadeiramente a necessidade de baixar a despesa pública. Logo com o orçamento rectificativo se viu que a correlação de forças dentro do governo não estava do seu lado. Mais uma vez, se atacava o défice em vez de se atacar a despesa pública...
Lembro aqui as palavras de Freitas do Amaral na sua última entrevista ao DN:
Para equilibrar o orçamento, Salazar diminuiu em 15% os vencimentos de todos os funcionários públicos, aumentou em 15%, 20% todos os impostos - todos, e não apenas um, e não foi em 2%, foi em 15% -, cortou cerca de 10% em todas as pensões de reforma dos trabalhadores, quer do sector público, quer do privado, que já estivessem reformados. E extinguiu centenas de organismos, despediu pessoal aos milhares, e com isso chegou ao fim do ano e tinha o orçamento equilibrado.
Pode ser que lendo estas palavras se ganhe consciência dos riscos que corremos num futuro próximo, se a crise orçamental não se resolver. Se não acreditam, olhem para o caso recente da Argentina...
Enquanto se discutia o aeroporto da Ota e o TGV, Campos e Cunha era a única esperança de bom senso. Num momento em que se congelam carreiras, se aumentam as idades de reforma, se aumenta o IVA, se atacam alguns privilégios é de muito mau gosto andar a discutir investimentos megalómanos.
Estamos com uma crise brutal devido ao excesso de despesa pública, e a solução é investir milhões de contos em projectos megalómanos? Mas está tudo doido? O caso do TGV, pela sua inutilidade, raia o limite do absurdo. Pois... Campos e Cunha já saiu do governo.
Portugal caminhou até à beira do abismo... saberemos dar um passo em frente.
Publicado por L. Aguiar-Conraria às julho 21, 2005 05:42 AM
Comentários
Por incrivel que pareça, com este tipo de atitudes, eu, que sempre votei "à esquerda" parece-me que vou votar ter que votar Cavaco para a presidência.
Quando a ideologia é cega (ou pior, os interessinhos do aparelho comandam), a unica solução é mesmo pô-los a andar...
Publicado por: João Branco às julho 21, 2005 09:09 AM
João Branco:
Desculpe intrometer-me, mas não vejo a razão por que vai votar em Cavaco Silva para a presidência. Naturalmente que é livre de votar em quem muito bem entender, nada tenho com as suas opções. Mas, não me parece que seja válida a razão aduzida, uma vez que, como sabe, o Presidente da República tem apenas um papel representativo e não se pressupõe que delineie políticas económicas e financeiras. De qualquer modo, e por uma questão de curiosidade, gostava que explanasse melhor esta sua tomada de posição acerca das presdenciais.
Publicado por: Cristóvão de Aguiar às julho 21, 2005 09:27 AM
João Branco:
Desculpe intrometer-me, mas não vejo a razão por que vai votar em Cavaco Silva para a presidência. Naturalmente que é livre de votar em quem muito bem entender, nada tenho com as suas opções. Mas, não me parece que seja válida a razão aduzida, uma vez que, como sabe, o Presidente da República tem apenas um papel representativo e não se pressupõe que delineie políticas económicas e financeiras. De qualquer modo, e por uma questão de curiosidade, gostava que explanasse melhor esta sua tomada de posição acerca das presidenciais.
Publicado por: Cristóvão de Aguiar às julho 21, 2005 09:28 AM
E assim vai o Mundo!!!
Quando estamos fora do nosso pequeno "burgo", procuramos, ávidos, noticias e informações sobre o que se passa no país. Mas por outro lado, penso que nos tornamos mais sensíveis às matérias de politica internacional, a crise na UE e na Faixa de Gaza, as futuras leis anti-terrorismo na Câmara dos Comuns ou a eleições antecipadas na Alemanha, etc, etc...
Por outro lado, verificamos também que não somos nem piores nem melhores que os outros, somos apenas diferentes, principalmente na atitude. E se há vezes em que esta nos ajuda bastante (o tipico "desenrascanço português" é disso um exemplo claro), por outras só serve para nos prejudicar. Disto é exemplo a aversão, por exemplo, que os empresários e politicos portugueses têm ao risco, matéria que conheço suficientemente bem para emitir tal opinião.
É caso para dizer "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", mas não muito! É efectivamente uma pena.
Publicado por: Nuno Pinto às julho 21, 2005 09:31 AM
Também fiquei preocupado, embora houvesse sinais contraditórios nos discursos que não me pareciam muito saudáveis. Mas tenho uma dúvida de leigo que me apetece pôr a um "expert". O investimento público não pode, em determinadas condições, ter efeitos positivos na economia? Não foi no tempo de Roosevelt pós-1929 que os Estados Unidos puderam "levantar cabeça" e armar infraestruturas que ainda hoje subsistem - auto-estradas, barragens, etc? Por outras palavras, OTA, TGV serão só teimosia ou também uma oportunidade (até porque haverá sempre alguma contrapartida da UE)?
Publicado por: C. Varela de Freitas às julho 21, 2005 09:57 AM
Isso mesmo, Luís. Só não escreveria a última frase porque, mesmo que não o tenhas querido dizer, induz aquele pensamento tipicamente português do "alguém há-de fazer alguma coisa, vamos continuando NÓS sem fazer nada". A velha desresponsabilização dos tugas.
Publicado por: T. M. às julho 21, 2005 10:17 AM
Isso mesmo, Luís. Só não escreveria a última frase porque, mesmo que não o tenhas querido dizer, induz aquele pensamento tipicamente português do "alguém há-de fazer alguma coisa, vamos continuando NÓS sem fazer nada". A velha desresponsabilização dos tugas.
Publicado por: T. M. às julho 21, 2005 10:17 AM
Caro Luís,
Assusta-me o comentário que vou fazer da sua entrada de hoje. Porque simplesmente nada sei destas matérias.
Mas vamos por partes. Embora retòricamente me sinta levado a concordar com a sua comparação com a Argentina, a história leva-me a outros lugares. Porque no início do século XX, a Argentina era uma das maiores potências mundiais. E Portugal dos mais atrasados.
Com efeito, Portugal conseguiu um feito inusitado. Em menos de 40 anos, desenvolveu-se. E isso deve-o a dois grandes PMs: Marcello Caetano e Cavaco Silva. E recorde-se: ambos o fizeram em condições muito adversas.
Mas precisamente o facto de o termos feito em menos de 40 anos, enquanto os mais desenvolvidos o fizeram em mais de 200, é o que hoje mais nos marca. Pois, tal como numa maratona, quando a cabeça do pelotão estica o passo, ele alonga-se. E muitas vezes parte-se.
Não me sinto habilitado para enumerar as eventuais fracturas do Portugal de hoje. Mas a nossa sociedade alongou-se. Havendo hoje (con)vivências de modos variados de estar no mundo. Com os que não conseguem acompanhar o passo do desenvolvimento, a pedirem a solidariedade. Dos que vão mais à frente a acelerar, com compromissos por um Portugal moderno, e com intolerância para com os gestores medíocres que dizem não ser. E que nessa correria, só olham para a frente, esquecendo-se dos outros. Que ficam para trás. Esquecidos. Como no mundo animal, em que os fracos da manada ficam esquecidos para trás à mercê do predador.
Portanto: hoje temos um Portugal que se deseja menos animal, e mais humano, que tem que resolver o problema do excesso de pessoal do Estado (mais que reduzir o "deficit" do orçamento), que tem que fortalecer o cumprimento das regras de funcionamento da sociedade, que tem que facilitar o ordenamento da iniciativa individual. E que em consequência disso, vai precisar de menos receitas para funcionar melhor.
Para tudo isto, é preciso arte. Na explicação do que falta. E na persuasão do que falta fazer. É preciso um grande PM. E um bom Ministro das Finanças. Não poderia estar em maior acordo.
Ter um Ph.D. em Economia por Cornell pode ajudar. A contar as muitas histórias que é preciso contar. Mas não chega. Também é preciso arte. Sobretudo para persuadir. E quantos mais, melhor.
Obrigado.
Publicado por: F às julho 21, 2005 10:23 AM
Caro Luís e Cristovão:
Ao contrário do que o Cristovão sugere não me parece que o papel do Presidente da República seja meramente decorativo. É verdade que o pode ser e quer o 1º mandato de Mário Soares (excepção feita à marcação de eleições antecipadas em 87) quer os dois de Sampaio (excepção feita à queda de Santana) foram disso exemplos. Mas o intervencionismo de Eanes (mesmo depois da revisão constitucional de 82) e o de Soares no 2º mandato exemplificam bem o oposto. Por boas e más razões.
Julgo aliás que um dos pilares (politicamente, o principal) da actual crise remonta a 1995/96. O desgaste de 10 anos de governação PSD (com Cavaco, entenda-se) associada à crise de 93/94 pôs meio país (e 95% da comunicação social) a clamar por uma mudança política. Ao autoritarismo apontado a Cavaco (em parte verdadeiro, noutra inventado, noutra ainda essencial como se veria mais tarde) contrapunha-se agora o discurso do diálogo, da bonomia, das facilidades. Foi assim que Guterres chegou ao poder e, passado o boom do final da década (ajudado pela correcção acertada da crise de 93/94 e pelo esforço de entrada e manutenção do escudo no SME contra quase todos da altura - incluindo, por exemplo, Vitor Constâncio... - mérito indiscutível de Cavaco Silva) impulsionado pela entrada no euro e consequente queda das taxas de juro, depressa se viram os resultados: um estado a caminho da bancarrota, níveis galopantes de endividamento das famílias, um aparelho produtivo sem capacidade de competir nos mercados internacionais cada vez mais liberalizados. Em 95 estavam todos fartos do rigor e da autoridade, em 2004 estamos a caminho do abismo...
E qual o papel do Presidente da República em tudo isto? Fácil resposta: na 1ª metade da década de 90 foi o albergue de todas as contestações, o paladino do direito à indignação. Cavalgou a onda do descontentamento, foi cúmplice de todas as intrigas (o jantar do Avis por exemplo), incentivou todas as revoltas fosse por acção ou omissão (a da ponte, por exemplo, as presidências abertas), cultivou relações privilegiadas com os jornalistas. Em 95 poucos diziam isto, Soares negava-o terminantemente. Hoje em dia, olhando para trás poucos o negam. E a confirmação “oficial” até veio de dentro. Estrela Serrano, à altura assessora de imprensa de Soares, escreveu-o, ponto por ponto, na sua tese de Mestrado... Papel decorativo? Nem por sombras...
E depois? Depois veio Sampaio. Ou não veio. Que ter lá estado ou não vem der ao mesmo. Aproveitando a onda crítica a Cavaco, vence as presidenciais ainda que com alguma dificuldade (53.8% naquelas circunstâncias não foi brilhante – menos que a esquerda das legislativas de 95 somada, contra um Cavaco que, mesmo sem o apoio do PP de Monteiro, superou em 3% a soma PSD+PP). E depois desaparece de cena. Faz discursos redondos a que ninguém liga nenhuma. Embarca na conversa do diálogo e assiste, impávido e sereno, ao caminho para a desgraça. E, finalizada a era Guterres, quando Ferreira Leite luta contra o monstro, vem falar em vida para além do déficit... Fica a questão: alguém acredita que, se Cavaco tivesse ganho as presidenciais em 96, isto tinha chegado a este ponto? Não era preciso fazer o que Soares fez. Bastava alertar, persuadir, invocar o seu peso político, a sua autoridade para provocar as travagens que Sampaio não quis ou não pôde fazer. Aplicar, no bom sentido, no sentido correcto, todo o poder que resulta da magistratura de influência, papel essencial de um Presidente da República.
É por isso que, sem a mínima dúvida, apoiarei Cavaco Silva em Janeiro, se ele se apresentar a sufrágio. Porque de presidentes decorativos ou sem peso político já estou farto. Só que agora vai ser muito mais difícil do que em 96. Cavaco não será um salvador da pátria. Mas é o único que a pode travar de dar o passo para o abismo que está à nossa frente.
Um abraço,
Pedro Martins
Publicado por: Anonymous às julho 21, 2005 11:54 AM
A comparação com a Argentina parece-me um bocadinho exagerada. O peso argentino estava indexado ao dólar americano e a perda de competitividade, acrescida das saídas de capitais, forçaram a derrocada da moeda. Ora no caso português a perda de competitividade gera empobrecimento mas não desfaz a convertibilidade da nossa moeda...
Publicado por: Rui às julho 21, 2005 12:30 PM
Caro C. Varela de Freitas,
O New Deal, apesar do que a tradição ensina, fez muito mais mal que bem aos EUA e, se não fosse a II Guerra Mundial, a Depressão ter-se-ia prolongado muitos mais anos.
Recomendo a leitura de:
http://www.cato.org/pub_display.php?pub_id=3357
ou
http://www.cato.org/pub_display.php?pub_id=3327
A "inteligentsia" de esquerda, por ter visto muitas suas ideias concretizadas no New Deal, é que construiu a histórica fama deste programa estatista.
Cumprimentos.
Publicado por: Michael Oakeshott às julho 21, 2005 12:33 PM
Campos e Cunha demite-se tal como baluartes intelectuais inconcussos se demitiria. Como podia Campos e Cunha advogar medidas ainda mais restritivas quando uns megalómanos, companheiros de governo, asseguram a construção de obras como a Ota e o TGV? Um homem que pode fruir de uma faustosa reforma não se associa a um governo, numa altura de agonia económica, por prazer. Fá-lo por espírito patriótico. Todavia, há sempre quem alcandore o partido e subalternize o país. Este é o mal atávico do PS, e as duas eleições que se avizinha são profundamente deletérias para o país. Estou preocupado.
Publicado por: Vítor Sousa às julho 21, 2005 01:05 PM
Caro CA:
A minha razão (que foi mais um desabafo do que outra coisa) foi simplesmente notar que aparentemente este PS não tem, internamente, condições para aprovar as medidas que se impõe. Por condições ideológicas ou de aparelho, o usufruto da despesa do estado é mais importante do que a saúde da economia. E mesmo o PM, que inicialmente parecia disposto a aproveitar a sua oportunidade ÚNICA de uma maioria absoluta para fazer o que é necessário, aparentemente foi conquistado...
Logo, e para evitar o pior, é necessário um contrapoder. E, nas situações actuais só um PR o pode ser (dificilmente seriam as autarquias, mas NUNCA poderiam ser as autarquias que temos, seria a "sociedade civil", mas nunca a que temos...). Mais ainda, se o PR tiver uma votação e um discurso forte, pode dar a "espinha dorsal" a um PM que parece que a perdeu não se sabe aonde.
Publicado por: João Branco às julho 21, 2005 01:12 PM
A demissão de Campos e Cunha cria-me grande apreensão.
Fiz a minha parte para proporcionar a este governo as melhores condições políticas possíveis para que fizesse tudo o que se impõe fazer em termos de controlo da despesa pública, reestruturação do Estado e do estado das finanças.
Estou profundamente desiludido hoje.
Acreditei, mais num acto de fé do que por convicção devidamente ancorada em argumentos ou ideias sólidas, que este segundo episódio de maioria absoluta de um só partido nos faria tão bem quanto o período 1985-1991.
Parece-me claro que não será assim. Talvez a comparação entre os dois períodos não seja de todo justa mas o que interessa realçar é a urgência reformista, a exigência de ruptura.
Campos e Cunha vai embora e, tanto quanto nos é dado a perceber, leva com ele a racionalidade que ainda havia no Governo para arrefecer os ímpetos socialistas, no que de pior se pode conotar com este termo, relativamente à economia.
É o Estado interventor, é o Keynes ideológico. Que diria ele numa altura destas? Eu acho que ia atrás do Campos e Cunha.
Venham então a OTA e o TGV, não interessa bem para quê. Para cada estudo a favor, há um estudo contra, todos pagos do nosso bolso de contribuinte e sem que fiquem disponíveis para consultas públicas, ou para avaliação por comissões independentes.
Nos meios de comunicação social, vê-se e ouve-se de tudo, numa cacofonia inconsequente.
A utilização de Alverca para as low-cost, por exemplo, que libertaria espaço na Portela, é completamente absurda porque ambos os aeroportos estão no mesmo corredor aéreo, seja lá o que isso for.
Mas afinal, um dia depois, não. Não é nada absurda. Afinal estão até espantosamente bem posicionadas para funcionarem em conjunto e trata-se de uma solução muito mais barata que a OTA e que permite prolongar a vida do aeroporto da Portela por mais não sei quantos anos.
Com o TGV, há de tudo, traçados para todos os gostos, uns políticos, outros técnicos, uns submissos a Espanha, outros ao interior. Só não há é estudos, que me lembre, que mostrem o raio das linhas a sustentarem-se a si próprias.
Mas mesmo descontando tudo isso, a questão é o momento. Então é agora, quando temos 3 anos para corrigir o défice, que nos propomos gastar esta massa toda, independentemente do sucesso dessa ideia peregrina de pôr os "privados" a suportarem parte do investimento, em projectos de rendibilidade mais que duvidosa?
Sócrates, afinal, não percebeu nada.
A saída de Campos e Cunha só seria desculpável se para o seu lugar fosse alguém disposto a implementar um plano à la Cadilhe, criando o tal FIE (Fundo de Investimento Extraordinário) para suportar os custos de reestruturação deste país.
Mais cedo ou mais tarde, iremos lá. Portugal encontrar-se-á consigo próprio porque os défices não são diamantes, não existem para sempre. De forma programada, controlada, moderada ou à força bruta, por ruptura económico-social, eles aniquilam-se. Quanto mais tarde, pior. Maior dor, maiores injustiças até, serão impostas.
Publicado por: Gaspar às julho 21, 2005 02:23 PM
Caro João Branco:
Insisto neste facto: para que haja um PR interventivo, o melhor seria alterar a Constituição nesse ponto. Pelas provas que Cavaco já deu como PM, não creio que dali saia grande PR. Nesse ponto, dou inteira razão a Freitas do Amaral, que disse ao DN de ontem: "Há um prolongado silêncio, destinado a criar as condições, não para uma eleição democrática e pluralista, mas para um plebiscito unanimista."
Publicado por: Cristóvão de Aguiar às julho 21, 2005 03:28 PM
Estou de acordo com o Cristóvão. Penso que tal como está a constituição, o PR é pouco mais que uma figura decorativa. Por outro lado, também não vejo Cavaco com um perfil adequado para o cargo tal como ele existe hoje.
Como não acredito em salvadores e em 'sebastianismos', espero que haja racionalidade suficiente na equipa do governo para funcionar como barreira ao que parece ser a investida do aparelho partidário. Sinceramente, não vejo outra alternativa.
Publicado por: Nuno Pinto às julho 21, 2005 03:56 PM
Não é preciso alterar a constituição. O Soares foi interventivo e a cosntituição serviu-lhe muito bem para o que quis fazer. Não está escrito em lado nenhum da constituição que o presidente não deve existir, que foi o caso de Sampaio.
Publicado por: LA-C às julho 21, 2005 03:58 PM
Caro Cristovão,
Como o Luís refere e eu já tinha mencionado e até alargado em termos de exemplos no meu comentário anterior não é preciso alterar a constituição para o Presidente poder exercer, com eficácia, o seu magistério de influência. Passando respeitosamente ao lado de democráticas divergências opinativas acerca da prestação de Cavaco Silva como PM, a verdade é que não entendo a declaração de Freitas que menciona e com que diz concordar. É que o silêncio de Cavaco não impede a esquerda de se pronunciar (Nota: aqui mencionar esquerda é uma simplificação porque Cavaco não é propriamente, em minha opinião, de direita). Também em 1995 Cavaco Silva apenas falou depois de conhecidos os resultados das legislativas de Outubro enquanto Sampaio apresentou a sua candidatura muitos meses antes. Ora não conta que essa eleição tivesse sido um plebiscito. Muito menos unanimista. Embora, como também referi no comentário anterior, a acção de Sampaio nestes dez anos fosse tão invisível que nos poderemos ironicamente interrogar se em 1996 alguém realmente concorreu contra Cavaco...
Um abraço,
Pedro Martins
Publicado por: Pedro Martins às julho 21, 2005 04:35 PM
É preciso ser-se muito preciso quando se diz que se concorda com Freitas do Amaral.
É preciso especificar de que Freitas estamos a falar.
Do discípulo de Marcello Caetano? Do candidato presidencial da direita contra a esquerda, apoiado por Cavaco? Não deve ser. Esse Freitas já tem mais de 20 anos.
Daquele que apoiou Cavaco à presidência?
Daquele que se ofereceu para ser o candidato de Paulo Portas e Durão Barroso à presidência?
Daquele que apoiou uma coligação entre Portas e Barroso?
Daquele que há um ou dois anos declarou que nunca se candidataria contra Cavaco?
Daquele que disse que nunca votaria contra Cavaco porque tinha sido graças a ele que chegou ao cargo de presidente da Assembleia Geral da ONU?
Daquele que manifestou o apoio a cavaco às eleições de 2006?
Ou estaremos a falar do Freitas que apoiou “desinteressadamente” o PS nas últimas eleições?
Do ministro de um governo socialista que se recusa a dizer que entre Cavaco e Manuel Alegre votará em Manuel Alegre?
É um pouco complicado de saber de quem estamos a falar.
Quanto essa afirmação que o meu pai cita... é apenas mais uma incongruência de Freitas de Amaral. Então ele critica Cavaco pelo seu silêncio ao mesmo tempo que se recusa a dizer que não será candidato e quase que afirma que está à espera que o convidem? Mas ele está a falar de Cavaco ou está a ver-se ao espelho?
Publicado por: LA-C às julho 21, 2005 05:35 PM
Sobre a crise, a forma de a resolver, as implicações da saída do ministro, nada digo, que não percebo do assunto. Mas quando o Vítor Sousa diz que se é ministro por espírito patriótico, eu pergunto se não está a usar de ironia: é espírito patriótico, ou a cereja no topo do "curriculum vitae", a glória de pertencer ao governo?
Publicado por: Zu às julho 21, 2005 06:01 PM
No caso de Campos e Cunha, ser ministro nada acrescentou ao seu curriculum. Bem pelo contrário.
Publicado por: LA-C às julho 21, 2005 06:04 PM
Da atitude do Ministro fico com várias impressões:
1. Que no governo ninguem o levou a sério.
2. Que no governo parece prevalecer o lobby dos despesistas.
3. Que há pouca gente capaz interessada em governar este país.
4. Que nos afundámos mais um pouco.
Publicado por: Marco Oliveira às julho 21, 2005 06:22 PM
A Constituição POrtuguesa é um manancial inexaurível para os pretidigitadores que enveredam pela política. O primeiro - ministro, deviso a uma eleição assente na personalização, equipara-se ao Presidente da República devido ao estouvamento e ignorância cívica dos portugueses. Os confitos, com um presidente intervencionista, serão inexoráveis, porque o primeiro-ministro, apesar de cônscio da sua "nomeação" - e não eleição directa! -, sente que, perante os portugueses, dispõe da mesma legitimidade política e democrática. Venham os círculos uninominais, acabemos com o Presidente da República e criemos duas câmaras. O trabalho que incumbe ao PR seria desenvolvido pela câmara alta, como acontece na Grã-Bretanha. Uma coisa é irrefragável: a dissolução de órgãos electivos seria a consequência de uma sentença plural.
Publicado por: Vítor Sousa às julho 21, 2005 06:26 PM
Não me referia ao caso concreto de Campos e Cunha, que não conheço para me poder pronunciar, mas à afirmação feita de forma mais genérica de que é o sentido patriótico que faz alguém aceitar certos cargos. Devo ser muito céptica, porque acho que quase nunca é.
Publicado por: Zu às julho 22, 2005 02:17 AM
Zu
esclarecido, mas parece-me que o comentario do Vitor Sousa se refere ao Campos e Cunha.
Publicado por: LA-C às julho 22, 2005 02:24 AM
"No caso de Campos e Cunha, ser ministro nada acrescentou ao seu curriculum. Bem pelo contrário."
Esta frase do Luís reflete o que de melhor já li sobre a politica recentemente. Envolver-se na governação não dá curriculum a ninguém, bem pelo contrário, se eramos respeitadops por alguma razão, logo deixamos de o ser, mesmo que as nossas intenções sejam as mais puras.
Publicado por: Nuno Barata às julho 22, 2005 10:42 AM
Pois eu tenho dúvidas, mesmo que se saia como Campos e Cunha saiu - e de novo não o digo relativamente a este caso concreto, mas de uma forma geral. Mas não vale a pena explorar o assunto, foi apenas uma reflexão que a leitura de um comentário me suscitou. E que tem a ver com reflexões minhas sobre o porquê de certas pessoas aceitarem determinados lugares onde, possivelmente, só arranjarão lenha com que se queimar.
Publicado por: Zu às julho 22, 2005 01:52 PM
É impressão minha ou os últimos comentários aqui efectuados remetem para a célebre aplicação da lei de Gresham ("a má moeda expulsa a boa moeda") aos políticos? Que para ser evitada pressuponha pelo menos 3 coisas:
1) Aumento significativo dos vencimentos dos titulares de cargos políticos (retirando-lhes em contrapartida algumas dsa regalias especiais que hoje possuem).
2) Agilização dos processos envolvendo difamação por parte da comunicação social (e agravamento das penas).
3)Diminuição do nº de deputados e criação de comissões independentes que julgassem as propostas governativas que envolvam aumento de despesa, as quantificassem rigorosamente e avaliassem o cumprimento (ou falta dele) que a sua aplicação implicaria relativamente às promessas eleitorais (com cláusulas de escape devidamente justificadas).
Um abraço,
Pedro Martins
Publicado por: Pedro Martins às julho 22, 2005 02:30 PM
Concordo com os primeiros dois pontos que o Pedro sugere.
Quanto ao terceiro... duvido um pouco dessas comissoes "independentes", especialmente em Portugal. alvez fosse boa ideia em vez disso, como um primeiro passo, obrigar a que quando um deputado apresenta uma proposta que leve a um aumento da despesa seja, simultaneamente, obrigado a propor a fonte de receitas dessa despesa.
Publicado por: LA-C às julho 22, 2005 03:59 PM
Caro LA-C,
Não leves a mal dizer isto, até porque sei que és um macroeconomista, mas não acho que relativamente à macroeconomia faça muito sentido falar em "economista mais reputado do mundo". Nem vou entrar nos problemas do FMI e das crises financeiras não previstas e isso tudo. Simplesmente a Macroeconomia, sendo respeitável, não acho que seja passível de uma apreciação "quantitativa" num suposto contínuo de credibilidade/respeitabilidade.
E acho, isso com mais vigor, que a meter uns parêntesis, poderias pô-los na (Micro)economia, mas não na (Macro)economia, que só vem "depois", e só faz sentido com (sólidas) Microeconomic foundations.
Saudações académicas,
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 12:53 AM
TM
O que quis dizer era que o Sergio Rebelo e' o mais reputado economista portugues no mundo. O macro entre parentesis foi so para as pessoas terem uma ideia da especializacao dele.
Publicado por: LA-C às julho 25, 2005 01:00 AM
LA-C,
Tens toda a razão. Eu é que li (mal) o "macroeconomista" como sendo precedente ao "economista". Confesso que tenho algumas "dificuldades" com a Macro, mas como reputação apenas requere "reconhecimento internacional" dos seus pares e instituições do meio, fair enough. De qualquer modo, há em geral um problema grave de sample selection, já que os economistas mais "famosos" são quase sempre macroeconomistas, e isto independente do mérito, mas das questões que normalmente involvem economistas em instituições de topo. Enfim, espero que não tenhas levado a mal o meu comment anterior, de facto interpretei-o mal.
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 01:28 AM
Nem me passa pela cabeça levar a mal o comentário anterior. A discussão sobre a existência ou não da macro-economia enquanto ramo autónomo já é velha, havendo quem defenda apenas a existência de duas disciplinas: A micro-economia e a má-economia.
Piadas à parte, penso que concordamos que há diferenças quanto ao objecto de estudo entre a macro e a micro-economia. As diferenças metodológicas serão talvez mais ténues, mas diria que os macro-economistas usam mais modelos de “Equilíbrio geral” e os micro-economistas têm menos problemas em usar modelos de “equilíbrio parcial”. Mas claro, as excepções a esta regra que enunciei são tantas que se calhar nem chega a ser regra... e, claro, estou, injustamente, a desconsiderar todas as correntes heterodoxas...
Publicado por: LA-C às julho 25, 2005 01:51 AM
"Havendo quem defenda apenas a existência de duas disciplinas: A micro-economia e a má-economia."
No offense, eu estou próximo desses senhores algo irascíveis. Mas sou um heterodoxo. Não gosto demasiado das neo-classical assumptions (Independence Axiom and so forth) e prefiro o caminho mais baseado na forma como os agentes "realmente" decidem: behavioral, experimental, e um field recente, muito interessante, neuroeconomics.
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 01:53 AM
O blogue “pura economia” tem-me despertado a curiosidade sobre o neuroeconomics. Ate’ me chegou a dar umas referencias por e-mail. Quando, e se, tiver tempo dedicar-me-ei um pouco a essa disciplina.
Quanto ao “behavioral” tenho às vezes a sensação de que os pressupostos são demasiado ad-hoc, e que se consegue explicar tudo e mais alguma coisa. Por exemplo, acho patéticas as formas que encontraram para explicar o “equity premium puzzle”. Num outro dia veio aqui à Cornell um rapaz apresentar um seminário sobre aplicações do “behavioral” à macroeconomia.
Publicado por: LA-C às julho 25, 2005 02:04 AM
Vou ver esse blog, ainda não conheço.
Quanto às explicações ad-hoc há esse perigo, mas repara que todo o comportamento é explicável. É preciso é encontrar as causas "reais" de certo comportamento. Por exemplo, sempre achei tremendamente estúpido que durante tanto tempo os economistas tenham chamado de "irracionais" pessoas que votam e pessoas que oferecem mais que 1/100 no Ultimatum Game.
Para mim, o perido real do ad-hoc está na Econometria... fujo daquilo como diabo da cruz, minha rica pure theory :)
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 02:10 AM
Econometria... Concordo apenas em parte contigo. Penso que desde que se tenha em conta a "critica de Lucas" e que nao se tentem fazer demasiadas analises de politica com base na econometria, pode ser um instrumento valido.
Publicado por: LA-C às julho 25, 2005 02:12 AM
Ja' agora deixo o link para a "pura economia":
http://puraeconomia.blogspot.com/
Publicado por: LA-C às julho 25, 2005 02:14 AM
Já tinha ido ver n'O Insurgente, mas obrigdo na mesma. Muito interessante, de facto. E até fico a descobrir quem era o enigmático "J.A." que comentou hoje no meu blog ;)
[COncordas com o meu post sobre a água? Imagino que sim...]
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 02:20 AM
"Concordas com o meu post sobre a água? "
100%! Era para lhe fazer uma chamada aqui do meu blogue, mas o Domingo e a Segunda-feira sao exclusivos do meu co-autor neste blogue...
Publicado por: LA-C às julho 25, 2005 02:25 AM
"Válido", claro que sim. Bolas, sem econometria estávamos tramados. Como tantos disseram, se não conseguirmos medir as coisas, é muito difícil chamarmos a isso de "ciência". Só quis expressar o meu (grande) cepticismo na maioria dos estudos econométricos que se fazem. Aquilo é mesmo pior que fazer salsichas ou batons a partir das tripas de porco: you just better not see how they've done it. Tudo começa no problema de sample selection de só conseguires publicar determinados resultados. Uma investigação "falhada" (em termos econométricos) só pode ser publicada por um grande nome. O que faz sentido, atenção. Senão era uma rebaldaria de estudos que não dizem nada. Mas o problema de sample selection está lá.
Aliás, eu acho que o problema de sample selection não só está em todo o lado como é um dos problemas principais que atravessa toda a economia (enquanto ciência) e mesmo outras ciências sociais. Mas isso dava pano para mangas e aqui são mais 7 ou 8 horas (?) que aí. Inté.
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 02:28 AM
No probs quanto ao post! Mas obrigado pela menção (da intenção). Achei curioso essa regra da casa :) Mas tu às vezes não sentes impulsos tipo "porra, hoje tenho mesmo que publicar isto". eu estou sempre a abrir excepçóes a tudo, excepto a isto que acabei de dizer.
PS: tens alguma pancada com a incompletude Godeliana, não? Só curiosidade. Eu tenho, e muita. Desde que li um livrinho sobre Godel que vejo incompletudes em todo o lado, sobretudo nas construções axiomáticas de Micro, na "racionalidad", no CK, etc.
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 02:31 AM
Concordamos a 100% quanto à econometria. Mas ainda acho mais piada quando ouço na televisão que se estima que a construção de uma estrada tem um impacto de tantos por cento no PIB. Ainda não fizeram um estudo desses sobre o novo aeroporto pois não? E’ preciso ser-se muito crente para aceitar esse tipo de estudos...
Nunca violei esta regra. O Cristóvão de Aguiar além das funções de co-autor também desempenha as funções de pai, pelo que tem um poder dissuasório enorme... Especialmente desde que construiu uma casa em pedra na ilha do Pico! A qualquer momento pode trocar as fechaduras...
Tenho alguma pancada, mas se calhar não tanto como tu. Algo de diferente que teve grande impacto na forma de eu ver o mundo, e a democracia em particular, foi o Teorema da Impossibilidade de Arrow, quando ele demonstrou ser matematicamente impossível encontrar um sistema de votação que obedecesse a 4 ou 5 critérios mínimos. Fiquei muito tempo a pensar no assunto e pensei dedicar a minha tese a esse assunto. Acabei, como sabes, por escolher outras áreas mas ainda hoje pasmo a pensar no assunto.
Publicado por: LA-C às julho 25, 2005 02:43 AM
Pois, eu não sei se leste o último artigo no Expresso do Nicolau Santos, mas veio-me uma urticária gigantesca quando elee começou a citar estimativas para o impacto no PIB e noutros indicadores de determinados projectos. Enfim, quando nunca se estudou aprofundamente os problemas da Econometria e se idolatram estudos de consultoras que são regressões lineares com 1 variável ou pouco mais, não há muito a dizer.
Pois, o Arrow também me pôs a cabecinha a andar À roda. Mas hoje em dia é "perigoso" ir por aí. Já não há muito a dizer.
Acho que essa ameaça credível se fechar as portas a uma tão apetecível casa mais que justifica a tua disciplina, está entendido :)
Publicado por: Tiago Mendes às julho 25, 2005 11:00 AM
Luís,
Ainda quanto à questão das comissões independentes que sugeri. Concordo contigo quando colocas reservas à aplicabilidade, em Portugal, pelo menos imediata, de um sistema desta natureza. E também concordo com a sugestão que fazes acerca das propostas de deputados que levem a aumentos de despesa. A minha sugestão é, se quiseres, de médio/longo prazo. Julgo que seria nessa direcção que se deveria ir. Começando por medidas como a que sugeres. Pequenos passos portanto. Esperando contudo que, nesse médio/longo prazo, estejamos ainda vivos...
Confesso no entanto que esperava que alguém levantasse outro tipo de questões acerca de uma proposta destas. Por exemplo questionando a democraticidade (ou falta dela) de uma comissão desta natureza. Ou, por outras palavras, se criticasse o seu pendôr tecnocrático. Julgo que seria um debate interessante. Da mesma forma que seria curioso perguntarmo-nos porque é que se duvida logo que em Portugal isto funcionasse. Ou porque é que neste país não há pactos de regime que sejam levados a sério (a não ser os que implicitamente existem acerca das distribuição de lugares públicos...). Pobre país, o nosso?
Um abraço,
Pedro Martins
Publicado por: Anonymous às julho 25, 2005 11:49 AM
Agora que acabei as minhas ferias, venho dar a minha opiniãozinha de tipo que não entende nada de economia, mas também não é cego, senõ vejamos. De facto, apesar do sacrificio estou de acordo em que me "roubem" 15% do ordenado DESDE QUE:
1º Nunca mais nenhum projecto orçamentado, se desvie um centimo;
2º Nunca mais se rebente com asfalto novo de uma nova estrada, porque se esqueceu de colocar o cano tal para passar a nova tecnologia;
3º que nenhuma ponte seja contruída como foi a do Mondego em Coimbra;
4º Que nenhuma Ota, Euro, ou o raio que o parta seja efectuada até o estado ter capacidade de me repor o ordenado e me pagar o que me roubou com juros de mora;
5º Que nenhuma indemenização seja paga quando se muda de gestores publicos como se muda de camisa (ou seja de governantes);
6º e mais importante, que seja devolvido todos os salarios dos governantes desde o 25 de Abril, pois estiveram no poleiro a pedir sacrificios, jogando uns portugueses contra os outros e enchendo a barriga com belos banquetes, para não falar de outros possiveis "enchimentos" que neste pais nunca se consegue provar.
Um grande abraço e bom Verão
Publicado por: Miguel Sousa às agosto 4, 2005 02:46 AM
Desculpa Luís mas faltou-me dizer, que não me impoirtava de dar o passo para o abismo se tivesse a certeza que os verdadeiros responsaveis também cairiam..é que eu até na construção civil trabalhei....mas gostava de os ver lá a sujar as maozinhas de veludo
Publicado por: Miguel Sousa às agosto 4, 2005 02:48 AM