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outubro 02, 2005
Para que não me esqueça I
Vim para o Minho em Abril de 1998. Antes disso estava em Lisboa, no IGCP – Instituto de Gestão do Crédito Público. Nome absolutamente erróneo. Não havia nenhum crédito para gerir, apenas dívida.
Vivia em Corroios, em casa da minha prima. Todos os dias atravessava o Tejo de barco. Saía no Terreiro do Paço. O IGCP estava instalado no Ministério das Finanças. Mais tarde conseguiram instalações próprias. Um mês antes de vir para o Minho.
Vítor Bento, um dos treze que assinaram o manifesto dos 13, era o presidente do IGCP. Gostei dele. Não tinha problemas em arregaçar as mangas e sentar-se a trabalhar directamente com um simples estagiário. Simples talvez não seja o adjectivo adequado, que eu nunca fui muito simples. Mais tarde, Vítor Bento sairia do IGCP, tendo ido trabalhar para a banca, tornando-se o presidente da SIBS. Por várias vezes ouvi o seu nome ser mencionado para ministro das finanças, mas serão poucas as pessoas sérias disponíveis para serem achincalhadas em cargos desta natureza.
Enquanto dava aulas no Minho, fiz mestrado na FEP. Em Economia, naturalmente, com especialização em Métodos Quantitativos. Uma tese de mestrado ambiciosa sobre crescimento e ciclos económicos, orientada por Francisco Louçã, que, quando comecei, ainda era aspirante a deputado. Ao ser eleito, assegurou-me que manteria toda a disponibilidade para a orientação da tese. O que veio a verificar-se.
Defendi a tese ao início da tarde de um dia de Dezembro de 2000. Sala cheia. Família, alguns colegas do Minho, e muita outra gente para ver o Louçã, estrela em ascensão. Nessa tarde, após a defesa, candidatei-me a um sem número de programas de doutoramento nos EUA.
(cont.)
Publicado por L. Aguiar-Conraria às outubro 2, 2005 10:28 AM
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Comentários
Foi bom saber que o Louçã manteve a disponibilidade... aprecio-o muito e esta é mais uma achega de confirmação.
Publicado por: mfc às outubro 2, 2005 02:59 PM
Es um gajo de sorte! Andamos nos quatro anos a tentar apanhar o Louca como professor e ele mudava de disciplina ao ritmo que nos mudavamos de ano, abaixos assinados e tudo mas nao deu em nada...
Publicado por: beijinhodorosario às outubro 2, 2005 03:03 PM
Não sabia que o FLouçã tinha dado aulas na FEUP. Continuo a invejar-te a sorte: não só usufruiste da melhor orientação em Cornell como tiveste, antes disso, um orientador-vedeta português com disponibilidade para orientar! Correndo o risco de estar a cometer uma injustiça, eu diria que essa situação é verdadeiramente excepcional no nosso contexo académico, onde até os professores de reputação obscura mostram pouco ou mesmo nenhum empenho no cumprimento das suas obrigações de orientadores...
Mas tenho esperança de que com o crescente número de bons exemplos trazidos de fora, a empedernida cultura académica portuguesa comece a mudar!
Publicado por: DK às outubro 2, 2005 05:09 PM
O FLouca e' professor no ISEG. Nao tenho a certeza, mas penso que nunca deu aulas da FEP (e nao FEUP).
Eu limitei-me a enviar-lhe um e-mail para o ISEG, descrever os meus objectivos paa a tese e perguntar-lhe se estava disponivel para me orientar.
Em poucas horas respondeu-me afirmativamente.
Publicado por: LA-C às outubro 2, 2005 05:33 PM
Louçã é professor no ISEG e a sua tese de doutoramento tem a ver com a teoria matemática do caos: Turbulence in Economics: An Evolutionary Appraisal of Cycles and Complexity in Historical Processes.
Publicado por: homoclinica às outubro 2, 2005 11:38 PM
quando acabei o meu mestrado estive cerca de seis meses a admitir que queria continuar e fazer doutoramento, depois mais seis meses se fazia em lisboa ou no porto. agora faço-o em Lisboa e não me arrependo..mas vai andando ao ritmo da cozedura do bolo do caco: está ao lume, coze, mas não cresce..
Publicado por: Miguel Sousa às outubro 3, 2005 07:19 PM
Tanto quanto eu sei, o Louçã nunca deu aulas na FEP.
É curioso saber que eu e o LA-C estivemos na FEP na mesma altura (embora ele estivesse a fazer o mestrado e eu estivesse a meio da licenciatura, que na altura ainda era de 5 anos com dissertação no final).
Publicado por: AAA às outubro 4, 2005 12:27 AM
Muito curioso. Não me digas que tu eras aquele punk de cabelos espetados com as pontas azuis e correntes penduradas nas orelhas, que passava a vida na internet à procura do livro desaparecido de Hayek, mas que, para sua grande frustação, apenas encontrava fotografias da Salma Hayek nua?
Publicado por: LA-C às outubro 4, 2005 10:09 AM
"Não me digas que tu eras aquele punk de cabelos espetados com as pontas azuis e correntes penduradas nas orelhas, que passava a vida na internet à procura do livro desaparecido de Hayek, mas que, para sua grande frustação, apenas encontrava fotografias da Salma Hayek nua?"
Fui descoberto! La' se vai o que restava da minha credibilidade... :)
Publicado por: AAA às outubro 4, 2005 01:44 PM
"à procura do livro desaparecido de Hayek"
Na altura era mais Rothbard e Hoppe. Com o passar dos anos e' que me tornei um moderado hayekiano. :)
Publicado por: AAA às outubro 4, 2005 01:45 PM
moderado???????
Publicado por: LA-C às outubro 5, 2005 10:04 AM