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outubro 12, 2005

Para que não me esqueça IV

Chingmei.jpg

Como disse, cheguei à Cornell três semanas depois dos meus colegas. Os grupos de amigos estavam formados. Um grupo de chineses, um de indianos, um grupo de other asians. Europeus e americanos misturavam-se. O único canadiano era considerado europeu.

A Ching-Mei foi a minha primeira amiga. Ainda não conhecia ninguém quando perguntei se alguém queria ir almoçar. Uma chinesinha, de sapatilhas, calças de ganga e chapéu de basebol chegou-se à frente. Uma chinesa nada chinesa. Mais ninguém veio connosco.

Era mais americana do que chinesa. De Singapura, tinha nascido na Califórnia. Licenciada na Penn State University em três anos. A escola secundária de Singapura é tão boa que algumas universidades americanas permitem aos alunos oriundos desta cidade-estado saltar o primeiro ano.

Comprámos umas sandes e sentámo-nos no relvado central (arts squad). Não estava sozinho nas minhas dúvidas. Também a Ching-Mei não sabia se tinha capacidade para fazer um doutoramento. A Ching-Mei tinha 21 anos.

Estas notas são para mim. Para que não me esqueça. Pessoais, tal como este blogue/diário é pessoal. Podeis lê-las, claro, mas escrevo para mim e não para vós. Não são notas nostálgicas.

P.S. Podem encontrar aqui uma boa descrição do dia-a-dia de um(a) estudante de doutoramento.

Publicado por L. Aguiar-Conraria às outubro 12, 2005 12:11 PM

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Comentários

awwww ... i have ABSOLUTELY NO idea what u just wrote, but i'm touched. (but u need to learn how to hyphenate my name :))
miss you, luis!!!!! can u come back????????

Publicado por: pblossom às outubro 12, 2005 06:12 PM

I talked about the lunch we had in my first week in Ithaca.

Can you get me a picture of you with your baseball cap?

P.S. Your name is correctly spelled.

Publicado por: LA-C às outubro 12, 2005 06:16 PM

hmm .. ok let me look for one ... shouldn't be hard to find :)

Publicado por: pblossom às outubro 12, 2005 08:36 PM

Fui ver o blog da tua amiga Ching-Mei e aí vi numa foto alguns dos personagens de que tens falado. Fiquei a conhecer o Patrick e o José. Engraçado!

Começar um doutoramento aos 21 anos???!!! Mais uma impossibilidade aqui! Pelo menos até agora.

Publicado por: homoclinica às outubro 13, 2005 02:32 AM

what is homoclinica saying about me, patrick, jose and my jersey number (i.e. 21)?

Publicado por: pblossom às outubro 14, 2005 01:29 AM

Homoclinica
Do you care to explain?

Publicado por: LA-C às outubro 14, 2005 09:02 AM

Não tem muito a ver com o post, mas o comentário da homoclinica deu-me o mote. Os resultados da atribuição de bolsas de doutoramento da FCT este ano provam exactamente o contrário: muita gente com belos CV cientificos a verem recém licenciados sem qq experiência profissional passarem-lhes à frente!
Não foi o meu caso, que o meu cv por agora, é modesto, mas foi uma situação que vi repetida com vários colegas.

Publicado por: Alex às outubro 14, 2005 11:13 PM

é pessoal, mas eu gosto de espreitar, sobretudo quando contas essas impressões sobre o isolamento, quero dizer, o doutoramento ;)
abraço.

Publicado por: moriana às outubro 15, 2005 12:58 AM

????????????????????

Publicado por: pblossom às outubro 15, 2005 06:33 AM

Uma breve nota ao comentário do Alex: o problema é que as bolsas da FCT são encaradas, cada vez mais, como meros subsídios de desemprego. Na ausência de uma política de emprego científico e com o clima depressivo nas universidades, a investigação - e o doutoramento em si - tornam-se irrelevantes. O que importa mesmo para muita gente é poder contar com algum dinheirinho ao fim do mês. Tempos difíceis estes!

Publicado por: DK às outubro 15, 2005 08:47 AM

Já pensaram em pensar que essas bolsas devem ser dadas por pertinência do estudo e do doutoramento em questão?...nem sempre o ter melhor CV é garantia disso, ou será. Se for assim não haverá hipótese de quem quer começar, efectivamente ter a sua oportunidade. Bom...se calhar tou a meter foice em seara alheia, mas como só agora entreguei o meu projecto, como o meu curriculo é de um modesto "professor de ginástica" do ensino "inferior"...tou vendo que por V.Exas...terei que continuar a se-lo.

Publicado por: MIguel Sousa às outubro 15, 2005 12:16 PM

Miguel, quando me referi a "um belo CV" não foi apenas uma expressão, não me referia a alguém com "algum" CV, referia-me a alguém com uma linha de investigação coerente, artigos publicados em revistas de renome e em alguns casos até livros editados. Não posso acreditar que alguém nestas condições, em 1º lugar, tenha consigo manter uma actividade científica ao longo dos anos, sem se dedicar a uma área pertinente (muito mais quando a vida dos bolseiros e a manutenção da sua actividade depende antes de mais deles mesmos, já que geralmente são eles a elaborar as candidaturas anovos projectos), em 2º lugar, também não posso acreditar que uma pessoa nestas condições submeta um projecto de doutoramento desinteressante.
Acho que o maior de todos os problemas é mesmo o número de bolsas atribuidas, depois acho que se deveria dar, em primeiro lugar, oportunidade de progressão a quem já "mostrou trabalho". Penso que o próprio trabalho que venha a ser desenvolvido no doutoramento só tem a ganhar com a maior experiência de actividade científica do candidato. Por fim acho que as bolsas de "Iniciação à Actividade Científica" disponibilizadas pelos projectos de investigação, servem exactamente para envolver os recém licenciados que mostraram um bom desempenho durante os seus cursos.

Publicado por: Alex às outubro 15, 2005 01:01 PM

Só mais uma nota, Miguel: "V.Exas" limitou-se a dar a sua opinião pessoal em relação a uma situação que viveu de perto com mais do que 1 colega. O "belo CV", infelizmente, nem sequer é meu, que tal como tu só tenho um modesto CV.
Em todo o caso, olho para a "coisa" com uma perspectiva ampla e não fico apenas a olhar para o umbigo.
DK, estou de acordo contigo. Penso que algo deveria ser feito para obviar essa igualmente situação. (Já agora, sou a Alex e não o Alex ;-))
Bom fim-de-semana a todos!

Publicado por: Alex às outubro 15, 2005 01:11 PM

Que tudo corra bem e que não fiques com os olhos em bico pela chinesinha!

Publicado por: mfc às outubro 15, 2005 01:48 PM

Caro Alex, antes de mais obrigado pela sua resposta, mas deixe-me que lhe diga:

1º Quem tem um currículo disse ou já tem doutoramento e nesse caso deve se candidatar a uma bolsa para linha de investigação, que existem na FCT, com vagas específicas e aí ~está uma forma de diferenciação;

2º Colocar a concorrer ao mesmo nível este dois tipos de população é um erro. Por outro lado, parece ser legitimo perguntar se têm a sim um CV tão brilhante porque é que ainda não fizeram o doutoramento?

Quanto ao olhar para umbigo, é chapeu que não encaixa na minha cabeça, pelo simples facto de já ter provado a mim mesmo um conjunto de caracteristicas que me imp+ede não ter dúvidas a esse respeito.

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 15, 2005 02:13 PM

Ainda no que diz respeito ao número de bolsas, de facto se o país quer ter mais doutores, porque acredita ser imp+ortante, tem, obviamente que aumentar e estimular os que efectivamente querem fazer. Só para sua informação ando há mais de seis meses a me deslocar ao Continente para tratar de questões relacionadas com o meu doutoramento e tem saído do meu bolso. Como me saiu do bolso uma semana por mês durante dois anos (uma para a parte curricular outra para a porientação da minha tese de mestrado)...portanto, sem que a FCT e outras instituições sirvam de Santa Casa da Misericórdia, também têm que ser capazes de criar os estimulos certos. Esta parte sim é falar do meu umbigo...que é, por acaso o mesmo de todos os que querem evoluir e estão noutros Portugais....

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 15, 2005 02:14 PM

LUIS!!!!

Publicado por: pblossom às outubro 15, 2005 07:33 PM

Hi pblossom, me and Miguel Sousa ended up talking about PhD schoolarships in Portugal and not really about the post. My fault!:-)

Publicado por: Alex às outubro 15, 2005 08:43 PM

My fault too. Sorry, and congratulatioons for your blog. Caro Alex a discussão de pontos de vist é de salutar e espero que entenda, que é só isso. Um abraço

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 15, 2005 09:57 PM

Caro Miguel, assim o entendi :-), mas já agora, sou umA Alex(andra) e não um Alex! ;-)

Publicado por: Alex às outubro 15, 2005 11:49 PM

Ching-Mei
I will give you an update this week, ok?

Publicado por: LA-C às outubro 16, 2005 12:39 AM

Cara Alex(andra) desculpe lá a péssima interpretação que fiz do diminuitivo (etou com aquele sorriso envergonhado)

Publicado por: MIguel Sousa às outubro 16, 2005 10:10 AM

Miguel Sousa
Não leves a mal o que te vou dizer, mas quero-te chamar a atenção para um pequeno pormenor. Neste blogue, já por 4 ou 5 vezes te referiste a ti próprio como modesto "professor de ginástica". Pondo de parte alguns excessos retóricos que podem ter existido aqui ou ali, penso que não é hábito neste blogue tratar com sobranceria pessoas com menos títulos académicos ou tratar com mais deferência pessoas com mais títulos académicos.

Pode ter havido um ou outro debate mais quente, ou mais polémico, mas penso que nunca ninguém puxou de galões académicos ou profissionais. Todos os debates foram francos e abertos e de igual para igual. Aliás, na minha opinião, é essa a beleza do debate blogoesférico. Posso-te dizer com toda a propriedade, que os peidos dos doutores cheiram como todos os outros, ou, como dizem os americanos, "They shit as everybody else".

Publicado por: LA-C às outubro 16, 2005 12:39 PM


Agradeço a chamada de atenção, até porque, pode fazer com que todos nós pensemos um pouco, mas deixa-me que te diga uma coisa:

1º “Professor de Ginástica” é uma alcunha que ganhei, porque utilizo esse termo para me definir, para contrapor à insistência do meus colegas que querem ser chamados de prof. de EF, por acharem que assim são melhores considerados e quiçá, por ser a forma correcta. A minha posição é clara: chamem-me o que quiserem, gosto de ser reconhecido é pela qualidade do trabalho que apresento e não pelo que me chamem;

2º às vezes apetece-me utilizar o termo com um tom retórico, pois, de facto, nem todos os teus colegas têm uma atitude igual à tua, vai daí, já há algum tempo fiz-lhes a vontade de nem visitar os seus blogues (nos tempos que correm visito o teu, Universidades e a Memoria Flutuante), assim não têm que perder tempo a ler os comentários deste gajo que até nem corrige o que escreve;

3º O debate de ideias com A Alex foi claro, sincero e sem qualquer outro tipo de conotação, entendo a posição dela, mas efectivamente tenho opinião diferente, que julgo ter fundamentado bem.

Finalmente, espero continuar a ser bem recebido no teu blogue, como até aqui fui e como sou para ti e para todos os que te visitem, até porque, julgo ser...respeitador das opiniões de todos, independentemente de terem ou não galões.

Gostava de assistir a um debate sério acerca do diálogo que deve haver entre o ensino superior e o ensino “inferior” de forma clara e que, respeitando as diferenças, fosse capaz de dar frutos para uma ligação que todos queremos, mas nem sempre fazemos tudo o que está ao nosso alcance.

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 16, 2005 12:54 PM

cool, k. sorry for the interruption :P
as you were.

Publicado por: pblossom às outubro 16, 2005 04:45 PM

Ching-Mei/pblossom: I only comment that I was happy to see (in a picture of your blog) the photos of Patrick and José. I knew them by name, as Luis has spoken about his friens in US, so it's nice to know their faces.
I also comment that I was surprised that a person can begin the doctoract at the age of 21. So early! Here in Portugal that's not possible.

Publicado por: homoclinica às outubro 17, 2005 11:12 AM

Ensino superior/inferior:

Realmente é uma chatice!!! Em vários blogs vejo-me confrontada com este problema: ao falar em ensino "superior", sem querer, ofendo a sensibilidade do Miguel Sousa. Acontece-me sem eu querer. Eu não quero ofender ninguém!!! A última vez foi num comentário que deixei no Memória Flutuante. Não fui eu que inventei o termo "ensino superior"! Nem o uso deliberadamente para me por em bicos dos pés!!!
Francamente!
Mas no ensino superior existe o ensino universitário e o ensino politécnico e não conheço nenhuma palavra que englobe os dois, a não ser "ensino superior"! Se conhecerem, avisem-me, por favor, que já estou farta de perder tempo com estes complexos.

Publicado por: homoclinica às outubro 17, 2005 11:22 AM

Thanks!!!:)))

Publicado por: homoclinica às outubro 17, 2005 01:45 PM

Nao percebi essa homoclinica. Mas nao tem de que.

Publicado por: LA-C às outubro 17, 2005 01:48 PM

O melhor será talvez criarmos uma lista de termos PC para o Ensino Superior, para evitar ferir sensibilidades. Sugestões? Hummmm... Let me see... Ensino "mais avançado" está fora de questão e não soa nada bem... Hummm... E que tal uma versão portuguesa dos termos "education of height" versus "vertically challenged education"? O que vos parece?... Fico a aguardar feedback. ;o)))

PS. E, já agora, aqui deixo a sugestão de um glossário PC para ajudar(http://www.c4vct.com/kym/humor/pcpage.htm).

Publicado por: DK às outubro 17, 2005 02:56 PM

Penso que a questão do Miguel é um pouco mais séria e não é apenas linguística. Em Portugal, existe um diálogo entre o Ensino Superior e os Ensinos Básico e Secundário? Penso que a resposta é não. Mas deveria existir? Penso que sim. Mas em que termos deve esse diálogo ser feito?

Publicado por: LA-C às outubro 17, 2005 03:45 PM

Mas é claro que tens razão. Esse diálogo não existe - e os resultados dessa política "das costas viradas" estão à vista de todos. Talvez uma pessoa com a experiência do Miguel esteja em melhores condições para adiantar propostas a esse respeito. Confesso que no momento não me ocorre nada de significativo...
Voltando ao PC, a referência minha pretendia demonstrar justamente a inutilidade dos jogos de palavras, por muito divertidos que estes possam ser. De nada adianta mudarmos os nomes às coisas, se as realidades subjacentes se mantiverem inalteradas... O poder da palavra tem os seus limites!

Publicado por: DK às outubro 17, 2005 03:53 PM

O que eu queria dizer é que é absolutamente inútil, desadequado e despropositado uma pessoa do chamado ensino Secundário ou Básico sentir-se ferida quando ouve falar de ensino "superior", como se isso fosse uma desconsideração à sua pessoa. NÃO É!!! É simplesmente uma palavra única que resume duas e evita ter de escrever "ensino universitário e ensino politécnico". Há muita gente que desconhece o ensino politécnico e diz ensino universitário, querendo significar indistintamente o universitário ou o politécnico. É que estes têm realidades bem diferentes, embora haja muitos pontos comuns.
Quando eu inocentemente estou a falar de qualquer coisa comum a "estes dois sistemas de ensino que se seguem ao 12º ano" (vêem como é difícil ter de escrever isto tudo?) e na resposta vejo alguém que se autoproclama como sendo do ensino "inferior"... fico atónita!
Não era esse o tema. Mas cada um é livre de criar os fantasmas que quiser...

Publicado por: homoclinica às outubro 17, 2005 04:41 PM

Pelos vistos não comuniquei bem o que pretendia. Fui ler o que escrevi e em parte alguma consigo interpretar que fiquei sentido pela denominação Ensino Superior, até concordo com ela. A questão foi sempre colocada no "não dialogo" existente. Acho que há o Ensino Superior e o Básico e o Secundário sem mal nenhum, sem polémica nenhuma. Agora que deve haver diálogo lá isso não tenho dúvidas. Um exemplo claro é quando dizem que os alunos vêm do ensino secundário mal preparados. Nunca ninguém me explicou o que se faz no superior para recuperar esse atraso, ou não se tem que fazer nada? Quando recebo um aluno do ensino básico com falta de pré-requisitos (acreditem que são a maioria), trato logo de estabelecer planos de recuperação ou estratégias de os tornar capazes de recuperarem o atraso...

Para não fugir à conversa, que fique claro que em nenhuma circunstância tive qualquer problema com essa coisa do ES. Acontece que se deixei de ir a alguns blogues do ES, foi porque nunca recebia retorno da minha colaboração, e achei (não sou só eu que acho, tenho amigos na blogosfera que tb desisitiram pelas mesmas razões) que a minha colaboração era vista como inútil. A prova é que venho aqui há muito tempo e nunca deixei de cá vir porque sinto que no mínimo, dizem que discordam comigo.

P

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 17, 2005 10:02 PM

Em tempos conheci uma equipa que fazia o curriculo para o secundário, das disciplinas da area das Biologias, que era eclusivamente formada por professores do ensino secundário. É óbvio se toda a gente sabe que muitos curriculos têm tamanho gigantesco, era importante haver doutores, capazes de ajudar numa construção mais racional, se calhar até cortava conteúdos. Esta é uma das muitas "conversas" que me parece´m ser útil a todos.

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 17, 2005 10:24 PM

hummmm.... peidos dos doutores?... mas que merda é esta? Será que me enganei na fossa? eh, eh.

Bom regressemos às coisas sérias.
"Em Portugal, existe um diálogo entre o Ensino Superior e os Ensinos Básico e Secundário? Penso que a resposta é não. Mas deveria existir? Penso que sim. Mas em que termos deve esse diálogo ser feito?

A meu ver, seria desejável que nenhum professor se demitisse das questões relativas ao estatuto do professor no sentido mais amplo do termo. Noto que os recentes ataques que foram alvo os professores do básico e secundário não mereceram qualquer reacção dos colegas que leccionam no ES.
Seria um bom ponto de partida?

Publicado por: Miguel Pinto às outubro 17, 2005 11:56 PM

Não considero que os professores do secundário tenham sofrido algum ataque. Quanto aos do Básico não sei, pelo que não me pronuncio.

Publicado por: LA-C às outubro 18, 2005 09:55 AM

Não acho que seja imperioso a solidariedade dos professores do ES, contudo acho que o que aconteceu com as 26 horas de horário foi também para o secundário...e isso não foi um ataque aos professores. Em meu entender foi um ataque ás aulas bem palinificadas, aos testes bem trabalhados, aos planos de recuperação bem pensados....e por aí aadiante. O governo ao aprovar essa medida disse claramente que se está borrifando para o planeamento rigoroso, dando a ideia que há mais sucesso escolar se os meninos não tiverem furos (devido aos feríados dos colegas)... bom não te vou encher o blogue com o assunto, até porque já escrevi muito sobre isso no meu

Um abraço

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 18, 2005 11:22 AM

Mas vocês, quando falam em ataque aos professores do Ensino do Secundário estão a referir-se ao facto de o ministério pretender que os professores estejam 26 ou 27 horas por semana no local de trabalho?
De barriga bem cheia vos queixais vós, permiti-me que vos diga!

Publicado por: LA-C às outubro 19, 2005 10:08 AM

Sem qualquer tipo de ironia, quantas horas são obrigados a ficar os professores do ES? (não acho que seja possível qualquer tipo de comparação) nas Universidade.

Mas acredita que está mal, obrigar a passar as 26 horas na escola (ao ano passado apesar de ter uma redução de 11 horas, passava 47 lá). Não sou contra passar as 26 horas, desde que as horas para além da componente lectiva sejam aulas de planificação, um trabalho que em minha opinião devia ser feita em conjunto com os colegas que compõem o Conselho de Turma. O que não se pode nem deve é tirar horas da planificação para outro tipo de actividades. O planeamento para mim é sagrado e o tempo atribuído a ele não deve ser alterado sob circunstância alguma, muito menos para estar com os meninos quando estes têm feriados. Quando a tutela fez isso, fez claramente por achar que os professores eram um bando de parasitas que não faziam nada. Eles têm que assumir isso não andar com “rodriguinhos hipócritas”

O ataque ao Ensino "inferior" acontece porque, ao contrário do que se passa no Ensino Superior, que têm no Conselho de Reitores um grupo de pressão, nós temos uma porcaria de sindicato que nem sabe o que está lá a fazer, deixando os professores nas mãos de um Governo completamente fascista, que não discute, impõe. Para mim é um princípio elementar da democracia, que as leis sejam discutidas com os representantes da população alvo das mesmas leis. Mais, o que acontece é que este governo está dando cabo das únicas vantagens que o 25 de Abril nos trouxe (não aos professores mas a todos nós), que são os níveis de debate publico. Se nos tiram isso a democracia não nos valeu de nada.

Se avaliasse o 25 de Abril como avaliam as escolas do ensino inferior tinha que dar nota negativa a políticos e economistas. Já que antes da revolução estávamos na cauda da Europa e 31 anos depois, continuamos quiçá ainda piores. Acontece é que a chegada da democracia, tal como na escola, trouxe-nos vantagens que não podemos quantificar desta forma (tal como na escola, o sucesso não pode nem deve ser medido pela percentagem de retenções, a democracia também não deve ser medida pelos número e pela crise financeira).

Para informação de quem tiver pachorra de ler esta coisa toda, eu votei PS, estou completamente arrependido, não pelo que fizeram aos professores, mas porque votei pensando que ia ter uma preocupação social e tem uma preocupação numérica….

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 19, 2005 11:42 AM

“Sem qualquer tipo de ironia, quantas horas são obrigados a ficar os professores do ES?”

Presumo que por ES pretendes dizer Ensino Superior. A resposta é “não sei”, nem faço ideia se existe tal lei. Presumo que não, que tal violaria o princípio da autonomia universitária (mas, sinceramente, não tenho a certeza do que falo). Como eu passo cerca 40 ou 50 horas por semana aqui na Universidade, tenho quase a certeza de que caso haja alguma regra a esse respeito eu não a estarei a violar.

O resto de que falas é, naturalmente, mais importante, e merece um comentário mais aprofundado. Terá de ficar para outros ‘posts’. Adianto, no entanto, que tenho apreciado as tomadas de posição no teu blogue a este respeito. E penso que tens sabido fazer uma oposição construtiva.

Dizes ainda:
“Se avaliasse o 25 de Abril como avaliam as escolas do ensino inferior tinha que dar nota negativa a políticos e economistas. Já que antes da revolução estávamos na cauda da Europa e 31 anos depois, continuamos quiçá ainda piores.”

É uma piada, com alguma piada. Factualmente, não só falha o alvo como próprio alvo me parece errado. Em relação aos economistas, tenho algumas dificuldades em aceitar a tua opinião. Por uma razão muito simples. Se não se segue os conselhos dos economistas não se pode depois acusá-los de as políticas correrem mal. Dou um exemplo, desde o tempo do Guterres que todos os economistas alertam para a falta de consolidação das contas públicas (alguns já alertam para tal desde o tempo do Cavaco). Não culpem os economistas por o descontrolo ter chegado a onde chegou. Posso dar mais exemplos se quiseres (posso at’e dar exemplos de como quando os seus conselhos foram seguidos as coisas terem corrido bem).
Quanto aos políticos penso que és injusto, mas por outros motivos. Foram os políticos que nos colocaram na CEE e depois na UE. Foram os políticos que garantiram uma transição democrática não tivesse demasiadas convulsões, foram os políticos que criaram um sistema que nos garante que nos tempos mais próximos (o longo prazo a Deus pertence) não haver’a nenhum regime ditatorial em Portugal.
Enfim, é uma piada. Como disse, com alguma piada. Factualmente, não me parece certeira. Até porque quando dizes que estamos pior, relativamente ao resto da Europa, do que há 30 anos é, pura e simplesmente, falso. Poder-te-ia dar dezenas de exemplos que demonstram que é falso mas um é suficientemente ilustrativo, dado seu significado: compara as taxas de mortalidade infantil.

Publicado por: LA-C às outubro 19, 2005 12:12 PM

“Sem qualquer tipo de ironia, quantas horas são obrigados a ficar os professores do ES?”
Presumo que por ES pretendes dizer Ensino Superior. A resposta é “não sei”, nem faço ideia se existe tal lei. Presumo que não, que tal violaria o princípio da autonomia universitária (mas, sinceramente, não tenho a certeza do que falo). Como eu passo cerca 40 ou 50 horas por semana aqui na Universidade, tenho quase a certeza de que caso haja alguma regra a esse respeito eu não a estarei a violar".

POIS, NO CASO DOS PROFESSORES DO ENSINO “INFERIROR” HÁ CLARAMENTE. ALÉM DE QUE OS POLÍTICOS FAZEM QUESTÃO EM DEMONSTRAR… EU TAMBÉM PASSO MUITO MAS DO QUE AS 35 HORAS NA ESCOLA.


O resto de que falas é, naturalmente, mais importante, e merece um comentário mais aprofundado. Terá de ficar para outros ‘posts’. Adianto, no entanto, que tenho apreciado as tomadas de posição no teu blogue a este respeito. E penso que tens sabido fazer uma oposição construtiva.
Dizes ainda:
“Se avaliasse o 25 de Abril como avaliam as escolas do ensino inferior tinha que dar nota negativa a políticos e economistas. Já que antes da revolução estávamos na cauda da Europa e 31 anos depois, continuamos quiçá ainda piores.”
É uma piada, com alguma piada. Factualmente, não só falha o alvo como próprio alvo me parece errado. Em relação aos economistas, tenho algumas dificuldades em aceitar a tua opinião. Por uma razão muito simples. Se não se segue os conselhos dos economistas não se pode depois acusá-los de as políticas correrem mal. Dou um exemplo, desde o tempo do Guterres que todos os economistas alertam para a falta de consolidação das contas públicas (alguns já alertam para tal desde o tempo do Cavaco). Não culpem os economistas de o descontrolo ter chegado a onde chegou. Posso dar mais exemplos se quiseres (posso at’e dar exemplos de como quando os seus conselhos foram seguidos as coisas terem corrido bem).
Quanto aos políticos penso que és injusto, mas por outros motivos. Foram os políticos que nos colocaram na CEE e depois na UE. Foram os políticos que garantiram uma transição democrática não tivesse demasiadas convulsões, foram os políticos que criaram um sistema que nos garante que nos tempos mais próximos (o longo prazo a Deus pertence) não haver’a nenhum regime ditatorial em Portugal.
Enfim, é uma piada. Como disse, com alguma piada. Factualmente, não me parece certeira. Até porque quando dizes que estamos pior, relativamente ao resto da Europa, do que há 30 anos é, pura e simplesmente, falso. Poder-te-ia dar dezenas de exemplos que demonstram que é falso mas um é suficientemente ilustrativo, dado seu significado: compara as taxas de mortalidade infantil.

NÃO ME FIZ ENTENDER, O QUIS EFECTIVAMENTE DIZER É QUE CONTINUAMOS A ESTAR NA CAUDA DA EUROPA EM QUESTÕES FUNDAMENTAIS, ENTÃO DÉFICIT EUROPEU COMO É NÃO É O PIOR? O PIB? A PRODUTIVIDADE ENFIM, COMO ME PARECEU TER ESCRITO (POSSO NÃO O QUE ME PARECE É QUE EXISTE O NÚMERO TÃO GRANDE INDICADORES QUE PODEMOS TIRAR AS CONCLUSÕES QUE QUEREMOS (ATENÇÃO QUE NÃO TE ESTOU ACUSAR DE DAMGOGIA). oU ENTÃO, MASI UMA VEZ OS POLÍTICOS ANDAM A ME ENGANAR, PARA JUSTIFICAREM O CONTÍNUO APERTO DE CINTO QUE VIVO DESDE HÁ UNS ANOS PARA CÁ. EM QUE FICAMOS?

QUANTO AOS ECONOMISTAS, BOM, DEVES SABER ATÉ MELHOR DO QUE EU, QUE HOUVE UMA PERCENTAGEM DE POLÍTICOS COM FORMAÇÃO ACADÉMICA NA ECONOMIA E AFINS, CLARO QUE O QUE ESCREVO, DEVE SER LIDO DENTRO DO ESPÍRITO QUE ESCREVO (O QUE NEM SEMPRE É FÁCIL PARA QUEM LÊ, POR LIMITAÇÃO MINHA, QUE ASSUMO). DE FACTO ERREI, TAMBÉM PODIA TER ALIADO AOS ECONOMISTAS, OS POLÍTICOS QUE SÃO DOCENTES UNIVERSITÁRIOS (QUE SÃO A MAIORIA), MAS NÃO QUERIA IR POR AÍ, PORQUE ASSIM DEIXAMOS DE DISCUTIR O ESSENCIAL. PARA MIM O ESSENCIAL É ENTENDER QUE AS MEDIDAS TÊM QUE SER ANALISADAS POR PERSPECTIVA QUALITATIVA E NÃO SÓ PELA QUANTITAIVA.

POSSO SER INJUSTO MAS CONTINUO A ACHAR QUE UM PAÍS TÃO PEQUENO TEM QUE HAVER MANEIRA DE SER ARRUMADO, E QUEM O ARRUMA SÃO OS POLÍTICOS. ESTA ORGANIZAÇÃO SÓ SE JUSTIFICA EM PAÍSES DO TAMANHO DO BRASIL, OU DE ANGOLA.

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 19, 2005 12:53 PM

“NÃO ME FIZ ENTENDER, O QUIS EFECTIVAMENTE DIZER É QUE CONTINUAMOS A ESTAR NA CAUDA DA EUROPA EM QUESTÕES FUNDAMENTAIS, ENTÃO DÉFICIT EUROPEU COMO É NÃO É O PIOR?”

Respondo o que respondi antes: “desde o tempo do Guterres que todos os economistas alertam para a falta de consolidação das contas públicas (alguns já alertam para tal desde o tempo do Cavaco). Não culpem os economistas por o descontrolo ter chegado a onde chegou.”

"POIS, NO CASO DOS PROFESSORES DO ENSINO “INFERIROR” HÁ CLARAMENTE. ALÉM DE QUE OS POLÍTICOS FAZEM QUESTÃO EM DEMONSTRAR… EU TAMBÉM PASSO MUITO MAS DO QUE AS 35 HORAS NA ESCOLA."

O vosso empregador exige-vos que passem 26 hopras por semana no local de trabalho. Dificilmente, conseguiras convencer alguem que tal exigencia e' um ataque a quem quer que seja. Se o meu empregador vier exigir o mesmo de mim, garnto-te que nao me veras aqui a berrar dizendo que me estao a atacar. Ja' agora digo-te que a maioria dos trabalhadores passam 40 horas no local de trabalho. Algo que sei que sabes, mas nao custa lembrar, sao esses os trabalhadores que nos pagam o salario.

Publicado por: LA-C às outubro 19, 2005 01:44 PM

desta vez acho que tenho que dizer que não queres entender o que te digo..nunca coloquei a questão nesses, moldes, coloquei sempre o enfoque no facto das tarefas que me obrigam a fazer nessas horas para além das lectivas serem outras tarefas que não a preparação do processo ensiino-aprendizagem empobrecendo o planeamento. Desculpa mas para mi é claro. O argumento que usas é outro e se calhar está te fazendo falta ires dar umas aulitas ao enisno inferior.

Quanto à questão dos economistas, vais me desculpar outra vez, mas a unica formula que conhecem, pelo menos a que mais estrondo faz na opinião pública, é baixar salários, despedir..e pouco mais...onde está a criatividade?...bom mas por aí não quero entrar porque sei que sabes mais do que eu. Uma coisa certa os Economistas falam muito, se as pessoas não entendem, o ruído vem de algum lugar.

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 19, 2005 04:28 PM

“desta vez acho que tenho que dizer que não queres entender o que te digo..nunca coloquei a questão nesses, moldes, coloquei sempre o enfoque no facto das tarefas que me obrigam a fazer nessas horas para além das lectivas serem outras tarefas que não a preparação do processo ensiino-aprendizagem empobrecendo o planeamento. Desculpa mas para mi é claro. O argumento que usas é outro e se calhar está te fazendo falta ires dar umas aulitas ao enisno inferior.”

Meu caro. Tu próprio disseste que não havia nenhum ataque aos professores inferiores (adopto a tua terminologia, já que pareces fazer tanta questão). Pelo que obviamente quando falo que os profs inferiores se queixam de um ataque não é a ti que me refiro. Aliás ainda bem que escrevi, e passo a citar-me, “(...) tenho apreciado as tomadas de posição no teu blogue a este respeito. E penso que tens sabido fazer uma oposição construtiva.”
Quanto a fazer-me falta a ir a umas aulas inferiores... Esse argumento de autoridade não leva a lado algum. De qualquer forma sou filho de uma professora do Ensino Secundário e sou cunhado de uma professora de Português do secundário. Se eu não tenho conhecimento de causa para falar sobre o assunto, então ninguém tem, tirando, naturalmente, os professores inferiores. Mas então lá se vai o diálogo que tanto defendes....

“Quanto à questão dos economistas, vais me desculpar outra vez, mas a unica formula que conhecem, pelo menos a que mais estrondo faz na opinião pública, é baixar salários, despedir..e pouco mais...onde está a criatividade?...”

Deixa a criatividade para as artes..., põe muito gente a “criar” modelos económicos e depois queixa-te. De qualquer forma não me lembro de alguma vez ter ouvido o Louçã a defender os despedimentos ou que se baixassem os salários. Nem sequer percebo como pode um economista defender baixas dos salários. Nunca ouvi um economista a defender um decreto que obrigasse as empresas a despedir pessoas, nunca ouvi um economista a defender um salário máximo (nem economista nem sem ser economista, honra seja feita aos não-economistas).

“Uma coisa certa os Economistas falam muito, se as pessoas não entendem, o ruído vem de algum lugar.”
As pessoas não entendem? As pessoas recusam-se a entender! Isso sim. Porque não há muito para entender. Quando se fala, por exemplo, em reformas aos 55 anos o que é que há para entender? Quando uma pessoa desconta cerca de 35% do ordenado para a segurança social, e o vai receber, praticamente por inteiro (ou seja cerca de 3 vezes mais do que desconta anualmente), durante quase tantos anos como os que descontou, o que é que custa a entender que isto é insustentável! Não entendem o caraças! Recusam-se a entender porque são egoístas e porque se estão nas tintas para que daqui a 40 anos o sistema vá à falência e não haja reformas para ninguém! Não entendem! Estão-se nas tintas, isso sim. Claro que quando tal acontecer a culpa é dos economistas... declaro-me, desde já, culpado.

Publicado por: LA-C às outubro 19, 2005 05:06 PM

Quanto à primeira parte é obvio que não te devia ter dito o que disse e retrato-me sem puto de problemas, mas deixa-me que te diga a questão do ensino básico e secundário está muito mal contada, acredita e aceita as minhas desculpas por ter dado o tom errado ao diálogo.

Quanto aos economistas, bom falar do Louça e esquecer todos os outros é dar importância a uma gota que integra um oceano..sabes muito bem que o numero dos que defendem o contrario do Louçã é muito grande

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 19, 2005 06:43 PM

Cheguei agora de uma aula e parto para casa. Amanha continuamos a conversa.
Grande abraco.

Publicado por: LA-C às outubro 19, 2005 07:43 PM

Ok Luís, a nossa conversa motivou o meu ultímo artigo..

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 19, 2005 10:54 PM

Eu acho que deve ser muito chato "ter" que ficar 26 horas num local (mesmo que lhe chamem "de trabalho") sem ter nada com que se entreter! Isso pode ser considerado "um ataque".
É como estudar. Eu digo aos alunos: se o fizerem com entusiasmo, com gosto, não custa nada. Eu sei por experiência própria que as cadeiras de que gostava ou com professores de que gostava, foram facílimas de fazer. Às vezes tentava dar-me a volta a mim mesma, procurando o lado mais interessante da coisa a fim de me facilitar a tarefa de engolir a pílula...
Se os docentes do ensino não superior estivessem embrenhados numa tarefa estimulante, gratificante, certamente prefeririam ficar na escola a trabalhar do que ir para casa ver televisão ou dar uns passeios.
O mal talvez seja, que esses docentes estão mal "aproveitados".
No ensino superior há o Tutorado, ou seja, também temos que tomar conta das "criancinhas"... e temos de fazer muitas tarefas "menores" que muitas vezes saiem do âmbito restrito de dar aulas, porque não há funcionários, porque não há na escola os serviços próprios para essas tarefas. Também não há espaço físico para instalar dignamente todos os docentes. Muitas vezes, apesar de todas estas dificuldades as coisas vão andando, só pela carolice de alguns, só pelo gosto de trabalhar, mesmo sem condições nenhumas.
Imaginem o que deve ser numa escola do ensino básico ou secundário, todos os professores obrigados a permanecer horas e horas na sala de professores a olhar para o tecto... é uma estopada!!! Concordo.

Publicado por: homoclinica às outubro 20, 2005 10:07 AM

Ser professor de secundário ou básico, é ser-se mais do que isso, é ser-se psicólogo, assistente social, trabalho d prevenção da sida, da droga do alcool.... é lidar com jovens a quem temos que pedir rendimento, mas as suas confdições para poderem ir a procura do tal rendimento são más, ou porquie não tem com que comer, ou porque os pais andam às turras, ou porque levantam-se às quatro da manha para tratar das vacas, ou para fazer uma viagem num autocarro superlotado que demora duas horas e mais para chegar às escola.

Uma das minhas maiores batalhas na escola é tentar sensibilizar para o re-equacionar o conceito de rendimento., é dificil mostrar aos meus colegas que as notas baixas podem ser um bom rendimento se o associarmos às condições que essas crianças têm para sobreviver. Acho que o que a tutela faz com os rankings é tapar o sol com a peneira, pois é mais fácil deitar a culpa para cima dos professores, do que elevar a dignidade de vida que estes jovens têm...isso custa muito dinheiro. Para isso eu estou disposto anão ser aumentado!

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 20, 2005 11:15 AM

Muito bem!

Publicado por: LA-C às outubro 20, 2005 01:28 PM

Em relação ao comentário mais recente do Miguel, estou com o Luís: muito bem! Ainda recentemente comentava noutro blogue que por detrás do insucesso escolar estão sobretudo factores económicos e gravíssimas desigualdades sociais que é preciso atacar quanto antes.

Publicado por: DK às outubro 20, 2005 01:54 PM

a parte irónica é que o preambulo da lei, leva-nos a sentir a educação como esse emaranhado (mas necessário..não conseguiria ser professor sem esse trabalho) de funções. Adoro fazer isso tudo, adoro...agora, não posso é ter os outros "estímulos"...faz muita confusão, até a colegas meus, que diga que em determinadas circunstâncias um aluno que tira 6 negativas teve sucesso...para alguns estarem vivos já é sucesso.isto é Portugal real, não um qualquer exercício de imaginação

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 20, 2005 02:13 PM

Depois de ler no público a ministra chamar escolas do insucesso...peço-vo que d~em umas liçõezitas a essa vossa colega...que insensibilidade...até concordo que ela as feche...só aceitava que ela apelidasse como escolas de insucesso, se se tivesse referindo à incompetência dos sucessivos ministérios para dotar essas escolas do que elas precisam para terem sucesso..

Publicado por: Miguel Sousa às outubro 20, 2005 07:17 PM