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abril 28, 2006
?!?
Num comentário à entrada anterior, o Miguel fala num livro entitulado "All Must Have Prizes". Nunca li o livro, mas o título fez-me lembrar um episódio passado com o Patrick há pouco mais de um ano.Na sua tese de doutoramento, o Patrick lembrou-se de desenhar umas experiências com uns estudantes sul-africanos para estudar os efeitos do racismo. Essas experiências envolviam jogos com os miúdos brancos e negros (havia mais classificações raciais, mas isso não é relevante).
Nesses jogos, era importante que os alunos se esforçassem por conseguir bons desempenhos. O Patrick teve de desenhar um esquema de incentivos, em que, na prática, quanto melhor fosse a performance mais dinheiro recebia o miúdo.
Naturalmente, o Patrick teve de pedir financiamento a uma série de instituições. Uma das instituições ficou preocupada com a possibilidade de haver uns miúdos que recebem mais prémios do que outros. O Patrick lá explicou que os incentivos (prémios) eram essenciais para garantir que os alunos se esforçassem por conseguir bons resultados. A comissão (composta por sociólogos de uma prestigiadíssima universidade) sugeriu então que autorizaria diferenciação de prémios desde que nenhum aluno recebesse um prémio inferior à média. E esta? Pois...
Publicado por L. Aguiar-Conraria às abril 28, 2006 02:25 PM
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Comentários
Tinha feito um link no outro post mas devo-me ter enganado algures.
http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/0751522740/203-9457381-8237563
Publicado por: Miguel às abril 28, 2006 03:58 PM
Hmmmm, não estas a exagerar o alcance disso um bocadinho?...
Publicado por: Hugo Mendes às abril 28, 2006 04:13 PM
Acho que é preciso colocar isso dentro do contexto historico-politico: tratando-se da Africa do Sul, essas questoes raciais sao imensamente delicadas no periodo post-apartheid.
Publicado por: Hugo Mendes às abril 28, 2006 04:16 PM
Hugo a questão está na frase:
"diferenciação de prémios desde que nenhum aluno recebesse um prémio inferior à média"
És capaz de distribuir 100 euros por 4 pessoas, de forma diferenciada, sem que nenhuma receba menos do que a média? Ajudo na resposta, em qualquer distribuição a média será 25.
Publicado por: LA-C às abril 28, 2006 04:30 PM
Mas aqui a questão é a matematica ou a ideologia? Ou ambas?
Publicado por: Hugo Mendes às abril 28, 2006 04:37 PM
Ainda que esta história se passe na África do Sul acho que não é difícil encontrar outras semelhantes na Europa ou EUA.
Para alguns ideologos da educação a ideia de premiar o mérito é quase um crime.
Regressando a história. Gostava de saber se quem propôs essa solução se apercebeu das suas consequências.
Publicado por: Miguel às abril 28, 2006 04:48 PM
"Mas aqui a questão é a matematica ou a ideologia? Ou ambas?"
Caro hugo
A questao e a de uma ideologia mal fundamentada e aplicada por eminentes "burros". E o mesmo se passa com as imposturas intelectuais que o Nuno Crato ajudou a denunciar (v. livro do mesmo nome, Sokal e Bricmont) perpetradas pela brigada pos-moderna. Mas, de acordo com a tua opiniao, essa denuncia e demagogica. Ja percebo melhor as tuas posicoes, ao nao veres o problema com a situacao que o post do LA-C refere.
Publicado por: Vasco Gabriel às abril 28, 2006 05:16 PM
Caro Vasco Gabriel,
Esse debate relativamente ao Sokal e Bricmont é um bom exemplo da (desculpa a frontalidade) demagogia dos muitos que o usaram. Foi um debate que faltou levar a sério em Portugal, talvez fosse interessante te-lo na blogosfera. No fim era giro ver quem é o impostor. Se quiser, eu para esso arregaço as mangas, porque ao contrario do "Eduques", tenho a bibliografia em dia.
Publicado por: Hugo Mendes às abril 28, 2006 05:33 PM
"És capaz de distribuir 100 euros por 4 pessoas, de forma diferenciada, sem que nenhuma receba menos do que a média? "
Claro que sim, desde que a diferenca seja zero!!... Os tais sociologos acabaram por levar a agua ao seu moinho e ainda os chamam burros... :O))
Publicado por: MP-S às abril 28, 2006 05:51 PM
Luis, se quiseres lê as linhas que se seguem, sao de um sociologo da educaçao francês, Bernard Lahire, que estuda ha mais dez anos a realidade escolar francesa (niveis primario e secundario), utilizado variadissimas tecnicas empiricas, as 'novas pedagogias'. Talvez as duvidas que expressei em mensagens anteriores fiquem mais claras e sejam menos vistas como resultado da casmurrice. Ele fala do ideal-tipo do professor que ensina as pedagogias que promovem a 'autonomia' do aluno, que suponho se enquadrem na critica do Nuno Crato:
(a traduçao do francês é minha)
"A figura ideal-tipica que vou apresentar é...raramente incarnada pelos professores singulares. Com efeito, tirando algumas raras excepçoes que se aproximam da pureza do tipo-ideal...os professores estao todos mais ou menos pedagogicamente divididos, e as suas praticas sao o produto de misturas e de bricolages em dosagens muito subtis. Divididos entre a vontade de 'autonomia' e as dificuldades praticas de concretizar essa vontade nos factos; utilizadores de uma parte de novos métodos ou de novos dispositivos a titulo de complemento, mantendo-se sempre mais ou menos presos à pratica mais 'tradicional'; balançando, em funçao dos anos, entre os niveis e as populaçoes escolares, entre um polo e o seu oposto; persuadidos que a autonomia é uma necessidade historia e uma coisa boa, constatando ao mesmo tempo que apenas as novas geraçoes de professores, com os novos habitos do métier, saberao por em pratica semelhante pedagogia; convertidos às novas praticas mesmo quando eles haviam sido portadores de habitos antinomicos que os poderiam conduzir em direcçao a um conservadorismo pedagogico, etc; para olhar as coisas em todas as suas nuances, podemos dizer que os professores que adoptam totalmente a 'pedagogia da autonomia' ou, inversamente, a 'pedagogia frontal e directiva' nao sao os mais numerosos, e a compreensao das realidades pedagogicas num estado mais individualizado da uma imagem mais ambivalente do estudo que privilegia a reconstituiçao ideal-tipica (e necessariamente caricatural) de universos pedagogicos relativamente coerentes"
Bernard Lahire, 'L'Esprit Sociologique', La Découverte, 2005, pp.327-8
(http://www.amazon.fr/exec/obidos/ASIN/2707145084/qid=1146243507/sr=1-7/ref=sr_1_9_7/171-6757849-5695407)
O que o Nuno Crato parece fazer é traçar o ideal-tipo de um professor usando um determinado tipo de técnicas. Esse é um exercicio naturalmente 'caricatural' (e isto nem sequer é uma critica horrivel, mas uma consequência que decorre da sua escolha metodologica).
Publicado por: Anonymous às abril 28, 2006 05:59 PM
Luis, se quiseres lê as linhas que se seguem, sao de um sociologo da educaçao francês, Bernard Lahire, que estuda ha mais dez anos a realidade escolar francesa (niveis primario e secundario), utilizado variadissimas tecnicas empiricas, as 'novas pedagogias'. Talvez as duvidas que expressei em mensagens anteriores fiquem mais claras e sejam menos vistas como resultado da casmurrice. Ele fala do ideal-tipo do professor que ensina as pedagogias que promovem a 'autonomia' do aluno, que suponho se enquadrem na critica do Nuno Crato:
(a traduçao do francês é minha)
"A figura ideal-tipica que vou apresentar é...raramente incarnada pelos professores singulares. Com efeito, tirando algumas raras excepçoes que se aproximam da pureza do tipo-ideal...os professores estao todos mais ou menos pedagogicamente divididos, e as suas praticas sao o produto de misturas e de bricolages em dosagens muito subtis. Divididos entre a vontade de 'autonomia' e as dificuldades praticas de concretizar essa vontade nos factos; utilizadores de uma parte de novos métodos ou de novos dispositivos a titulo de complemento, mantendo-se sempre mais ou menos presos à pratica mais 'tradicional'; balançando, em funçao dos anos, entre os niveis e as populaçoes escolares, entre um polo e o seu oposto; persuadidos que a autonomia é uma necessidade historia e uma coisa boa, constatando ao mesmo tempo que apenas as novas geraçoes de professores, com os novos habitos do métier, saberao por em pratica semelhante pedagogia; convertidos às novas praticas mesmo quando eles haviam sido portadores de habitos antinomicos que os poderiam conduzir em direcçao a um conservadorismo pedagogico, etc; para olhar as coisas em todas as suas nuances, podemos dizer que os professores que adoptam totalmente a 'pedagogia da autonomia' ou, inversamente, a 'pedagogia frontal e directiva' nao sao os mais numerosos, e a compreensao das realidades pedagogicas num estado mais individualizado da uma imagem mais ambivalente do estudo que privilegia a reconstituiçao ideal-tipica (e necessariamente caricatural) de universos pedagogicos relativamente coerentes".
Bernard Lahire, 'L'Esprit Sociologique', La Découverte, 2005, pp.327-8
(http://www.amazon.fr/exec/obidos/ASIN/2707145084/qid=1146243507/sr=1-7/ref=sr_1_9_7/171-6757849-5695407)
O que o Nuno Crato parece fazer é traçar o ideal-tipo de um professor usando um determinado tipo de técnicas. Esse é um exercicio naturalmente 'caricatural' (e isto nem sequer é uma critica horrivel, mas uma consequência que decorre da sua escolha metodologica).
Publicado por: Hugo Mendes às abril 28, 2006 06:00 PM
Bem, amigos agradeço e vossa participação e voltarei amanhã, mas hoje estou de saída. Lamento não ter participado nesta discussão hoje, mas houve três seminários aqui no departamento que me ocuparam a tarde toda.
Respondo só a uma questão do Hugo, não pretendi argumentar nada com episódio descrito.
Foi mesmo só falar no surrealismo que é ter gente a decidir como distribuir milhares (milhões?) de dólares e que nem sequer têm interiorizado o conceito de média. Nada mais do que isso.
Compreendo que na sequência de ´entradas`, que já vem desde ontem, se tenha ficado com uma ideia errada das minhas intenções.
Publicado por: LA-C às abril 28, 2006 06:57 PM
Incluo algumas citações e comentários a artigos do livro
Contemporary Issues in Mathematics Education que resultou de um encontro no MSRI- Mathematical Sciences Research Institute.
Pedagogy is not something to be added, after the fact, to content.
Pedagogy and content are inextricably interwoven in efective teaching.Pedagogy,
like language itself, can either liberate or imprison ideas, inspire or sufocate
constructive thinking.”
Keynote Address: Mathematicians as Educators, by Hyman Bass, 1-6
______________________________
Na parte de Mathematics Education at the University
". . . the United States has, simultaneously and paradoxically, both the best
scientists
and the most scientifically illiterate young people: America's educational
system is designed to produce precisely that result. America leads the world
in science and yet 95 percent of the American public is scientifically
illiterate."
Variedade de Estudantes
Preocupação na educação de alunos, futuros professores.
Currículos
______________________________________
“There is a lot o rethoric about teaching for understanding, yet here are
some examples of what we get”
“We’re theaching them thinking”
“...US textbooks are much longer than those in the other countries whose books he looked at. If more significant material were covered than in other countries, or if the explanations were better, the length migth not be a problem. Unfortunately, neither is the case.”
Resolução de Problemas. É assim porque é assim!!! NOT Scalable
USA vs Singapura
“The need to come to closure with what is started is not one the strengths of our current reform”
“a mile wide an inch deep”The Third Mathematics Education Revolution, by Richard Askey, 95-107
______________________________________
Temos sempre problemas no Japão, ou noutro lado, com a memorização...
Agora resta saber qual a atitude dos alunos, influenciada por si e pelo meio
social; se vão querer Professores Mestres ou Pedantes; se são influenciados por
Professores Mestres ou Pedantes.
Japan: A Different Model of Mathematics Education, by Thomas W. Judson, 75-81
______________________________________
“We, the research community, should develop these stories and begin to tell them.”
The Research Mathematician as Storyteller, by William Yslas Vélez and , 45-56
______________________________________
As reformas: Divide and Conquer
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É preciso equilíbrio, tempero, … com utilidade no ensino e observável.
Afterword, by William G. McCallum
Publicado por: António das Neves às abril 29, 2006 01:05 AM
Luís,
é óbvio que, sabendo que o Patrick era da área de Economia, ele investiria em acções e ganharia dinheiro com elas, por isso daria sempre um valor igual à média inicial aos perdedores, e esse valor acrescido dos lucros aos vencedores. ;-)
Publicado por: Jorge Morais às abril 29, 2006 11:31 AM